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Para quem está a pensar entregar os objectivos individuais, era que reflectisse bem e leiam esta carta!

PONHAM AQUI OS OLHOS, SRs PROFESSORES!

Ultimamente, e por falta de tempo, o meu repúdio a este Governo, sobretudo a este ME, tem sido mais praticado do que escrito. Pratico (faço todas as greves, ignoro por completo qualquer acto relacionado com esta fantochada de avaliação e prefiro dedicar-me à minha escola e aos meus alunos) porque não tenho MEDO. No dia que eu tiver medo de um Governo do meu País, suicido-me!
É exactamente pela tristeza que sinto de ver muitos colegas perderem o fôlego nesta luta, por manifesto medo ( até de serem exonerados, eu já ouvi!) que resolvi aqui publicar um texto sublime de uma colega de Barcelos!
Ponham-lhe os olhos! Meditem nele! Acreditem que não podemos deixar-nos vencer pelo medo! E como diz Barack Obama: «yes, we can!!!»

Onde estais vós, gente de pouca fé?!

Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim.

Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas.

O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos.

Onde pára essa gente de fortes convicções?

Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação, tanta falta de informação !!!

Onde estão os 120 mil ? Fizeram como a avestruz?

Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.

Tenho vergonha dos nossos representantes políticos.

Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.

Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.

Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.

Hoje dei mais um passo em frente… não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana.

Não aceito que um ano de luta acabe por “parir” um rato.

Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar.

Não, não tenho.

Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa.

Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada.

Ah! e já não tenho marido.

Quando ouço alguns colegas que desabafam “Ai, eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado”… Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.

Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles.

Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.

Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!

21-01-2009
(Escola Secundária de Barcelos)

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