Um segurança por sala de aula
Comentário de Afonso Perdigão, publicado no IOL Diário sobre Educação.
Eu sou professor dos 3ºciclo e do secundário já há cerca de 28 anos e durante esse período tenho assistido a políticas burocratizantes e desresponsabilizantes para os professores/as e alunos.
Sempre que muda um governo entram mais professores especialistas (sobretudo aqueles que têm conhecimentos no ME e não gostam de dar aulas) da cor ou da simpatia do partido do governo que entra em funções e continuam no ME os professores especialistas que já foram admitidos pelos governos anteriores, logo o ME tem excesso de professores, funcionários que permanecem no local de trabalho uma média de 35h semanais (se não for menos), pelo que se fossem razoavelmente avaliados quanto à sua competência e trabalho útil realizado,o nº de professores especialistas do ME estaria com certeza reduzido a menos de metade para bem do erário público.
Os governos exploram demagogicamente o tema da educação, porque a Educação Pública é uma temática que entusiasma a opinião pública e, por isso, dá votos para o partido do governo e para os da oposição e a sua discussão pública ajuda a desviar as atenções de outros sectores sócio-económicos com um muito maior grau de inépcia e corrupção, o que convém que aconteça.
A opinião pública entende de Educação como de futebol, não faltam especialistas comentadores de “bancada”que em casa são incapazes de educar minimamente um ou dois filhos que hoje graças à filosofia das “mãezinhas” que na generalidade são quem mandam em casa”os filhos é que sabem e, por isso, fazem o que querem e lhes apetece” e, muitas vezes, é que põem e dispõem em casa com o “patrocínio” das “mãezinhas”.
Como com a educação que recebem em casa e as ideias libertinas, apologistas da improdutividade, do consumismo (“compra-se tudo feito” e é tudo fácil, o que é preciso é ser espertalhão/ona) e do nihilismo anarquista difundidas pela sociedade desregrada,os filhos tornam-se insolentes e chantagistas. Logo, anseiam que as escolas ensinem e eduquem os filhos, sendo os professores uma espécie de “criados” para todo o serviço com o apoio do ME que têm a obrigação de educarem os filhos.Logo,os pais, ou quem faz a vez deles, são muito interesseiros e exigentes, quando os professores fazem o que podem para dar aulas(isto é,ensinar e se possível educar) a turmas de 25 a 30 alunos com educações caseiras críticas, desmotivados, malandros e insolentes, na generalidade.
Parece-me que se espera que aconteça aqui em Portugal o que aconteceu em França e, actualmente,na Grécia em que adolescentes, que frequentavam as escolas a serem educados para a igualdade, a paz, a solidariedade, o anti-racismo, a tolerância e o relativismo nihilista em geral, colocaram esses países “a ferro e fogo” que nem as polícias conseguiam pará-los.
Pelo exposto, sugiro que para a avaliação do desempenho dos professores seja previsto a assistência às aulas por um segurança por sala em todas as aulas dadas por um professor para que o professor possa efectivamente ensinar e possa passar a haver algum respeito na sala de aula.
Muito haveria a dizer…mas fico por aqui, porque o texto já está longo e posso ser mal entendido.
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