O Salazarismo voltou!
Somos uns Otários, uns lorpas, uns atrasados mentais, porque comemos e calamos:
O fim da linha, de Mário Crespo .
Da crónica do jornalista Mário Crespo, publicada no sítio do Instituto Sá Carneiro, após ter sido rejeitada, em 31-1-2010, no Jornal de Notícias, dirigido por José Leite Pereira:
«Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora [26-1-2010], que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.»
Hoje, 1-2-2010, o problema, que Mário Crespo era para o poder socratino, teve finalmente «solução».
O governo socratino respondeu logo à divulgação do caso, mas não desmentiu: «O Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices»… O JN desculpa-se que foi Mário Crespo quem «decidiu retirar o texto de publicação»…
Muitos, ingénuos, ainda não compreenderam a causa principal da popularidade do primeiro-ministro: julgam que o poder socratino é apenas a projecção da adesão popular, com causa mística ou fluência demagógica, e não a consequência do esforço, árduo, meticuloso e sistemático, de controlo dos media e de perseguição da liberdade de expressão. Outros, pelo contrário, comeram e calaram – os mesmos que, nos próximos anos, havemos de ouvir dizer, desavergonhadamente, que não sabiam de nada. A deriva autoritária socratina teve essa causa, esta promiscuidade e aquela ingenuidade.
Pós-Texto 1 (9:35 de 2-1-2010): O CM, de 2-1-2010, conta mais pormenores sobre o caso da solução para Mário Crespo. O «executivo de televisão» na alegada «conversa» num restaurante, em Lisboa, em 26-1-2010, em que «o Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão», terão discutido a «solução» para o «problema» de Mário Crespo, era o director de Programas da SIC, o jornalista Nuno Santos, além de Bárbara Guimarães, mulher de Manuel Maria Carrilho. Este é mais um incidente, entre tantos, em que se revela uma promiscuidade insalubre entre o Governo e os dirigentes dos media dominados pelo poder. São muito lá de casa…
Pós-Texto 2 (14:55 de 2-2-2010): Afinal, a situação é mais grave. O Expresso Online, de 2-2-2010 (via Blasfémias), explica que, alegadamente, foi Sócrates quem se dirigiu à mesa onde Nuno Santos almoçava com Bárbara Guimarães e, exaltado, invectivou o director de programas da SIC sobre Mário Crespo:
«Segundo fontes da estação contactadas pelo Expresso, a conversa decorreu no dia de apresentação ao Parlamento da proposta de Orçamento de Estado para 2010, durante a hora de almoço, no Hotel Tivoli, em Lisboa.
Iniciativa da conversa foi de Sócrates
Segundo as mesmas fontes, terá sido José Sócrates e os seus dois ministros dos Assuntos Parlamentares e da Presidência (Jorge Lacão e Silva Pereira) a dirigirem-se à mesa onde se encontrava Nuno Santos a almoçar com a apresentadora de televisão Bárbara Guimarães.
Em tom exaltado e facilmente audível pelos presentes no restaurante, o primeiro-ministro terá tido a iniciativa de falar de Mário Crespo e do conteúdo do seu noticiário, considerando mesmo que o jornalista deveria “ir para o manicómio”. “Definiram-me como um problema que teria de ter solução”, escreveu Mário Crespo na crónica censurada.
Nuno Santos confirmou palavras do primeiro-ministro
A informação sobre o teor desta conversa chegou ao conhecimento de Mário Crespo, não através dos seus colegas da SIC, mas através de um e-mail “de uma pessoa que estava presente no restaurante e me transmitiu o que ouviu”, disse o jornalista ao Expresso.
Crespo confirmou, em seguida, as informações junto de Nuno Santos e de Bárbara Guimarães, antes de escrever a sua habitual crónica destinada ao “Jornal de Notícias”. Aliás, no artigo – que seria recusado pelo director do JN por, alegadamente, a informação não ter sido confirmada – Mário Crespo sublinha que o relato “é fidedigno”.»
Amanhã ninguém tem culpa, nem sequer votaram neles. Foi assim depois do 25 de Abril.
Recebido por email (autor desconhecido).
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