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Em França: Professores lançam sapatos ao Ministério do Ensino Superior.

(in: Jornal de Notícias)

Uma centena de professores franceses concentrou-se hoje em frente do Ministério do Ensino Superior e cada um deles arremessou sapatos contra o edifício, no âmbito de uma vaga de protesto de docentes universitários liceais e primários.

“Lançar sapatos exprime a cólera face às reformas e ao discurso de Nicolas Sarkozy” sobre o ensino, declarou Isabelle This-Saint-Jean, presidente da associação “Salvemos a Investigação”.

A ministra do Ensino Superior, que introduziu sexta-feira duas modificações ao projecto do Governo, excluiu hoje retirá-lo afirmando que “seria um recuo” para todos os professores-investigadores.

As universidades francesas sentiram hoje os efeitos de uma greve dos professores que protestam contra uma reforma do estatuto dos 57 mil investigadores e dos docentes do ensino primário e secundário.

Tal como na véspera, “cerca de uma em cada duas docências não estava assegurada hoje”, segundo um sindicato do sector. De acordo com a ministra da Ensino Superior, Valérie Pécresse, as “perturbações são ainda esporádicas”.

Valérie Pécresse reúne-se quarta-feira com os responsáveis da Conferência dos presidentes de universidade.

Uma coordenação nacional que engloba os principais sindicatos do ensino universitário apelou hoje para uma greve ilimitada e para dois dias de manifestações a 05 e 10 de Fevereiro.

A primeira organização estudantil, UNEF, convocou todos os estudantes a aderirem à manifestação nacional de 10 de Fevereiro, depois das assembleias gerais que reuniram segunda-feira cerca de 20 mil estudantes.

O projecto de modificação do estatuto de professores-investigadores defendido pelo presidente Nicolas Sarkozy transfere para as universidades a gestão da carreira do pessoal, previsto numa lei de autonomia das universidades de 2007.

Os contestatários consideram que o seu estatuto corre assim o risco de perder o seu carácter nacional. Temem, em particular, a arbitrariedade dos presidentes de faculdades, uma perda da independência e a imposição de horas de ensino suplementares.

Os professores pretendem ainda protestar contra a supressão de 900 postos de trabalho prevista para 2009, a primeira baixa de efectivos em anos, e contra uma reforma da formação e dos concursos dos professores.

Um pouco por todo o país, os professores não deram aulas, recusaram participar nos júris e dar notas ou simplesmente exibiam uma braçadeira onde se lia: “Em greve”. A mobilização envolveu até as organizações tradicionalmente não reivindicativas.

Nós por cá, queremos mostrar que somos mais civilizados e, como classe, vamos sendo levados… Somos muito fraquinhos… infelizmente! E temos um Umbigo que nos preenche todo o campo de visão.

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